quarta-feira, 31 de outubro de 2012

TEMA: INTERNETx INVASÃO DE PRIVACIDADE.



QUARTA-FEIRA, 31 DE OUTUBRO DE 2012

Capítulo I ( do original) 
A sociedade do espetáculo
De Guy Debord
 A separação acabada
E sem dúvida o nosso tempo... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... O que é sagrado para ele, não é senão ailusão, mas o que é profano é a verdade. Melhor, o sagrado cresce a seus olhos à medida que decresce a verdade e que a ilusão aumenta, de modo que para ele o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado. (Feuerbach, prefácio à segunda edição de A essência do cristianismo.)
1
Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se afastou numa representação.
2
As imagens que se desligaram de cada aspecto da vida fundem-se num curso comum, onde a unidade desta vida já não pode ser restabelecida. A realidade considerada parcialmente desdobra-se na sua própria unidade geral enquanto pseudomundo à parte, objeto de exclusiva contemplação. A especialização das imagens do mundo encontra-se realizada no mundo da imagem autonomizada, onde o mentiroso mentiu a si próprio. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo.
3
O espetáculo apresenta-se ao mesmo tempo como a própria sociedade, como uma parte da sociedade, e como instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, ele é expressamente o setor que concentra todo o olhar e toda a consciência. Pelo próprio fato de este setor ser separado, ele é o lugar do olhar iludido e da falsa consciência; e a unificação que realiza não é outra coisa senão uma linguagem oficial da separação generalizada.
4
O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens.
5
O espetáculo não pode ser compreendido como o abuso de um mundo da visão, o produto das técnicas de difusão massiva de imagens. Ele é bem mais umaWeltanschauung tornada efetiva, materialmente traduzida. É uma visão do mundo que se objetivou.
6
espetáculo, compreendido na sua totalidade, é ao mesmo tempo o resultado e o projeto do modo de produção existente. Ele não é um suplemento ao mundo real, a sua decoração readicionada. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares, informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto de divertimentos, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e o seu corolário o consumo. Forma e conteúdo do espetáculo são, identicamente, a justificação total das condições e dos fins do sistema existente. O espetáculo é também a presença permanente desta justificação, enquanto ocupação da parte principal do tempo vivido fora da produção moderna.
7
A própria separação faz parte da unidade do mundo, da práxis social global que se cindiu em realidade e imagem. A prática social, perante a qual se põe o espetáculo autônomo, é também a totalidade real que contém o espetáculo. Mas a cisão nesta totalidade mutila-a ao ponto de fazer aparecer o espetáculo como sua finalidade. A linguagem do espetáculo é constituída por signos da produção reinante, que são ao mesmo tempo a finalidade última desta produção.




''A atriz brasileira, assim como em casos parecidos de famosas e desconhecidas, teve seus registros pessoais jogados na web sem a sua permissão. A repetição dessas "polêmicas" envolvendo registros pessoais de nudez leva a crer que não só ainda não sabemos lidar com os novos meios de comunicação e seu impacto na privacidade, mas também que fotografar-se sem roupa é uma prática mais natural e corriqueira do que aparenta ser.
Ver-se em imagens como veio ao mundo fascina a humanidade, e não é de hoje. Segundo Robson de Freitas Pereira, da Associação dos Psicanalistas de Porto Alegre, esse voyeurismo de si mesmo apenas ganhou força com a tecnologia.— O corpo nu sempre foi uma evidencia de mistério e fascínio para as pessoas. Não é por acaso que os sites de nudez, de filmes pornôs, são os mais acessados na internet. Com a facilidade de se tirar fotos e compartilhá-las rapidamente, fica mais fácil o ato de olhar e ser olhado, que faz parte da subjetividade humana e organiza nossa sexualidade — explica.Carla*, 25 anos, fez sua primeira sessão de fotos sem roupa há cinco anos a pedido do então namorado. Ao dar fim ao relacionamento, a jornalista apagou todos arquivos do computador do parceiro por medo de acabar exposta. Hoje solteira, ela produz fotos sozinhas em casa e apaga logo depois de ver.— A maioria das mulheres tem uma vontadezinha de ser modelo de fotos nua um dia ou outro. As fotos caseiras são uma maneira de brincar com isso. Ajuda a se aceitar melhor, a se gostar mais. A gente vai percebendo como certos detalhes do corpo são bonitos e desejáveis. Acho que faz bem para a vida sexual — pondera''.http://blogtvpeloespectador.blogspot.com.br/2012/05/fotos-de-famosas-nuas-na-internet.html



''Não fiquei chocada com as fotos. Elas não são pornográficas ou vulgares. Falta muito para isso. Não há vagina exposta, não há bumbuns escancarados, não há ato sexual, nada constrangedor. Peitos? Nas praias da Europa, mulheres de todos os pesos e idades exibem os seios. Aliás, elas não exibem nada – apenas preferem usar só a parte de baixo da “roupa de banho”, uma calçola para os padrões brasileiros.Há nu frontal e pelos pubianos de Carolina em pouquíssimas imagens. Ainda assim, pornografia zero. É quase um autoexame de falhas no corpo invejável de uma mulher de 33 anos, mãe de um adolescente. Se existe erotismo ali, é vago. Está na cabeça do voyeur, que se sente, ele mesmo, roubando a intimidade da atriz, assim como o criminoso que a chantageou.
Acima de tudo, não há pretensão nem intenção nos nus clínicos de Carolina. O olhar da atriz para ela mesma é frio em muitas imagens. Carolina era mais erótica na novela das oito, na pele da personagem Teodora, que se vestia, se maquiava e rebolava com a finalidade de despertar desejo.
Fotos caseiras podem, sim, ser pesadamente pornôs. As da atriz parecem um exercício de narcisismo. Seu corpo é lindo, proporcional. Como tantas mulheres saudáveis, famosas ou anônimas, Carolina deve gostar de se ver e de se exibir para o marido. A foto mais sensual, a meu ver, é a que não mostra nada. Com uma calcinha comportada, de perfil, encostada na parede, ela tem os cabelos soltos, o olhar maroto. Bonita como a moça ao lado. São retratos de celular, sem retoques. (...)


Retratos de nus sempre existiram. Feitos por artistas. Quando não havia câmeras fotográficas, eles pintavam as moças peladas, em poses lânguidas ou cruas. Se alguém não conhece a tela a óleo A origem do mundo, de Gustave Courbet, de 1866, dê um Google. Verá um órgão genital feminino peludo, anterior à moda das carequinhas íntimas. O rosto da modelo não aparece, as coxas estão afastadas.Se existe erotismo, está na cabeça de quem se sente na intimidade da atriz, como o criminoso que a chantageou Tão realista é a imagem que a tela ficou muito tempo escondida atrás de cortinas ou de outras pinturas, vista apenas por particulares. O Museu d’Orsay, em Paris, comprou a obra em 1995. O mesmo museu expõe agora, até 30 de junho, os nus explícitos de Degas – em pintura, desenho e escultura. O que as fotos toscas de Carolina têm a ver com obras-primas? A reação exagerada, que fazia sentido em outros séculos. Hoje, artistas contemporâneos e vanguardistas usam celulares para expor fotos domésticas e banais. A britânica Tracey Emin se fotografou nua e expôs na Hayward’s Gallery, em Londres, uma série de imagens. Algumas na banheira, como Carolina.
Um flagrante histórico é a foto de Simone de Beauvoir nua, de costas, feita por um amigo, pela porta entreaberta do banheiro. O traseiro da musa existencialista foi visto pelo mundo inteiro. E ninguém achou que a companheira de Sartre tinha sido ingênua e imprudente. Só libertária. Se você pesquisar essas imagens, proteja-se do moralismo burro cibernético. O Facebook puniu com três dias de suspensão um fotógrafo carioca que postou Simone de Beauvoir nua. O Facebook também desativou o perfil de um artista norueguês que expôs a tela de Courbet, A origem do mundo. Tudo virou pornografia. Regredimos em relação a um tempo em que a nudez era revolucionária?''

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